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UM POWER MICO NO POINT Autor: Wesley Porfírio
Fonte: www.powerpoint.kit.net
Data de edição: 04/03/2004
O pequeno auditório estava lotado. As pessoas se espremiam lutando contra a lei física de que dois corpos não podem ocupar o
mesmo espaço. De longe avistei meu amigo Vagner acenando-me com um papel. O camarada tinha guardado uma cadeira na primeira fileira. Pronto, agora era só esperar o início da palestra.
Logo vi o DS (data-show) sendo preparado, nos
últimos ajustes dos arquivos em PP (PowerPoint) dos palestrantes
daquela noite. Aliás a dupla PP e DS é indispensável em
qualquer tipo de palestra, auxiliando a compreensão do público e
orientando o expositor para que desenvolva sua apresentação numa seqüência bastante sistemática.
Depois de uma breve saudação de boas-vindas do mestre de cerimônia, o primeiro conferencista começou a sua exposição. Era a apresentação do case de sucesso da sua empresa. Porém, veio o hilário erro do operador do DS que em vez de abrir o arquivo com a sua palestra, abriu o do
próximo conferencista. A platéia percebendo o equívoco caiu na risada.
O problema não foi este erro, mas
a sucessão de erros durante toda a palestra. Foi um verdadeiro show de "defeitos especiais". Hora o apresentador precisava quase gritar para o operador mudar o slide, hora o slide avançava antes do combinado. Ficamos assim... sem saber se prestávamos atenção no que era dito ou preocupados em notar e rir dos próximos erros.
Desde meado dos anos 90, quando as organizações aposentaram de vez o reto-projetor, vejo o uso crescente de apresentações feitas em PP.
Aliás, posso dizer até que o PP se tornou um produto ecológico.
Claro! Imagine só a economia de tinta e de plástico que o PP nos dá! Porém, foram poucas as vezes em que vi esta tecnologia da informação sendo usada de maneira realmente profissional. Como toda tecnologia, o PP precisa ser bem estudado por seus
desenvolvedores e operadores, principalmente antes de uma palestra.
Todos sabem - e a Teoria da
Gestalt endossou - que uma imagem fala mais que mil palavras. Não
adianta nada ter algo muito bom para falar, se o que é mostrado diz
exatamente o contrário. E também não adianta efeitos especiais
maravilhosos, letrinhas que pulam e dançam, figurinhas, musiquinhas, efeitos sonoros
e pirotecnias, se o conteúdo ou o expositor são péssimos. É preciso
apresentar o tripé da boa exposição: conteúdo, oratória e
tecnologia. Ou seja, é necessário ter o que falar, como falar e como
mostrar. Seria um erro limitar
o uso do PP só para palestras e reuniões. Ele deve ser
usado com diversas finalidades, ser exibido em diversos meios e
em diversas circunstâncias, desde que o seu desenvolvedor queira
apresentar suas idéias de forma didática e sistêmica. Ora, o PP é utilizado até para se
fazer aquelas mensagens piegas que chegam diariamente por
e-mails! Outro exemplo
que já faz parte da minha intensa rotina de visitas comerciais, é
apresentar produtos e serviços. Levo meu laptop, pois através de uma apresentação em PP mostro
o que já sei sobre o cliente, sua empresa, seu mercado ou seu
produto e ai, oferto as minhas soluções para a sua demanda. Se é um cliente start-up, levo um PP para demonstrar as diversas etapas do projeto. Há novas idéias? Uso o PP para apresenta-las a minha equipe. Há relatórios a serem entregues? Por que não usar o PP
no lugar de planilhas Excel?! Poderá ser uma ótima hora de fazer
mais do que a obrigação e para demonstrar o total controle sobre o
assunto relatado. Se a
oportunidade faz o ladrão, a oportunidade também faz o bom power
point maker. O bom senso e o know-how de saber a hora certa é que dirão se é o não
o caso de uso de uma apresentação em PP. Muitas vezes é preciso simplesmente conversar com o cliente, ir na reunião, demonstrar o que você é
e saber como ajudar. De outras vezes, é o cliente que tem a necessidade de falar e passar explicações, enquanto você entra mudo e sai calado. Nestes casos não fará falta nenhuma
sua apresentação em PP.
Agora voltando a palestra que fui com meu amigo, ficou claro que o conferencista não se preparou corretamente para o uso dos slides. Antes tivesse falado usando um quadro ou somente o gogó. Não é raro vermos chefes pedindo aos subordinados a preparação de
uma apresentação em PP, mas depois não tomam o cuidado de conferirem o que foi colocado. Ai, a história irá sempre se repetir e eles pagarão um POWER mico no POINT
da reunião ou palestra.
E lá estava eu com meu amigo
Vagner, nos divertindo com a desgraça alheia. O problema é que
depois de meia hora de conferência, todos já estavam cansados e
aflitos para que a fracassada apresentação do case de sucesso
acabasse logo. Ingenuamente, sem se ater a este espírito de
ansiedade que pairava sobre o local, o expositor continuou por mais
uns 20 slides. O que para todos era graça, de repente virou
desgraça, uma chatice. Mas este já é assunto para um novo artigo.
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